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ARTIGOS DO PORTAL DA AMAZÔNIA
Título:  Quem são os agentes dos desmatamentos na Amazônia e por que eles desmatam?
Título do Evento:  Word Bank Internal Paper
Autor:  Sergio Margulis
Número do Volume: 
Número do Fascículo: 
Instituição:  Banco Mundial/ MMA/ PPG7
Palavras-Chave:  Desmatamento. Causas do Desmatamento. Atividades produtivas. Especulação findiária.
Resumo:  O paper propõe que o fator chave para explicar o grosso dos desmatamentos na Amazônia é simples e evidente: a lucratividade da pecuária. Ao contrário do usualmente aceito, a história dos desmatamentos na Amazônia é do tipo ganha-perde, e não do tipo perde-perde. Ou seja, os desmatamentos proporcionam ganhos econômicos claros, às vezes substantivos, que do ponto de vista privado fazem todo sentido. E estes ganhos decorrem fundamentalmente de atividades produtivas, e não especulativas. As duas implicações imediatas são, i) pelo menos os desmatamentos não geram apenas pura destruição ambiental, mas ii) as políticas de controle se tornam mais difíceis, uma vez que as perdas do controle serão maiores. Os agentes que se apropriam destes ganhos são os madeireiros e os agentes intermediários que transformam a floresta nativa em pastagens (pequenos agentes com os menores custos de oportunidade), e principalmente os pecuaristas e fazendeiros que “vêm depois”. Também ao contrário do usualmente aceito, i) os madeireiros não são os principais vilões do processo; ii) a especulação fundiária não é um fator de importância primordial; iii) a soja e outros grãos estão longe e não ameaçam: a agricultura pode vir atrás da pecuária, mas por enquanto só é significativa no Mato Grosso, e de concreto e consolidado, pouco existe nos demais estados; iv) os incentivos e créditos subsidiados do governo só puderam explicar uma parcela muito pequena dos desmatamentos no passado: hoje em dia, praticamente não têm relevância;iv) por terem históricos de ocupação, origem de colonização, e tipos empresariais distintos, as políticas de controle têm que incorporar estas condições específicas locais; vi) é preciso identificar mais precisamente aonde e sobre que agentes atuar. Por exemplo, é melhor (tentar) freiar os desmatamentos em áreas de fronteira totalmente “novas”, ou é melhor se concentrar nas áreas aonde os desmatamentos são mais intensos a cada momento? É melhor atuar sobre os pequenos agentes que principiam o processo ou sobre os grandes pecuaristas que vem atrás? Ou ainda sobre os madeireiros que eventualmente abrem as vias de penetração? Qualquer combinação de estratégias vai esbarrar na dificuldade de se lidar com os agentes com baixíssimos custos de oportunidade e que estão dispostos “a tudo”. Para estes agentes, seu objetivo é realmente a especulação e a mineração dos nutrientes da floresta, que deve ser feita o mais rapidamente possível.
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