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Benedito José Viana da Costa Nunes, nascido em Belém, Pará, no dia 21 de novembro de 1929, filho de Maria de Belém e Benedito Nunes, aprendeu a ler aos quatro anos de idade e estudou as primeiras letras na Escola "Sagrado Coração de Jesus", de uma tia sua, e na casa onde morava - na Gentil Bittencourt, entre Serzedelo Correa e Presidente Pernambuco, àquela época periferia da pequenina Belém dos anos trinta. bene1.GIF (20063 bytes)
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Passou a infância entre os livros e as brincadeiras de rua, a adolescência entre os livros e o curso secundário no Colégio Modeno, a juventude entre os livros e o curso de Direito, e a vida adulta entre os livros e as salas de aula. É professor desde a década de 50. Aposentou-se no cargo de titular, mas continua ensinando - agora, em conferências e através dos livros que escreve; nas discussões e através dos livros que empresta a estudantes, professores, ex-alunos, pessoas que querem ouvi-lo...

Foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia do Pará, posteriormente absorvida pela Universidade Federal do Pará. Fez mestrado na Sorbonne, em Paris. Na sua história pessoal, um nicho especial para o teatro - ele foi um dos grandes incentivadores da formação da Escola de Teatro, tanto por ser estudioso da história da arte, tanto por ser filósofo, como por ser marido de Maria Sylvia, pioneira, tanto no afeto de Benedito como na direção de peças teatrais da fase moderna do teatro paraense, que se inicia com eles e o Norte Teatro Escola, e prossegue com eles e a Escola de Teatro. O teatro tomou seu rumo, mas Benedito ficou com Sylvia e a paixão pela arte do espetáculo.

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Benedito Nunes escreve desde menino. Contribuições para jornais colegiais, depois resenhas e crítica de livros para jornais regionais, mais adiante resenhas e artigos para jornais nacionais. A militância da palavra impressa em jornais foi abandonada há pouco tempo e a enorme massa de escritos só pode ser encontrada nas bibliotecas, para quem quiser garimpá-las.

Mais destacados, e mais fáceis de serem localizados, os livros, os capítulos de livros em obras coletivas e os artigos em publicações especializadas. O primeiro livro foi "O mundo de Clarice Lispector", em 1966. O mais recente é deste ano: "O Crivo de Papel".

De permeio, livros indispensáveis nos cursos superiores: outro livro sobre Clarice - "O drama da linguagem - uma leitura de Clarice Lispector"; sobre Osvald de Andrade - "Oswald Canibal"; sobre João Cabral de Melo Neto - "João Cabral de Melo Neto"; e filosofia: "Introdução à Filosofia da Arte"; "O tempo narrativa"; "A filosofia contemporânea"; "No tempo do niilismo e outros ensaios"; "Passagem para o poético (filosofia e poesia em Heidegger); "O dorso do tigre".

Benedito Nunes mora na travessa da Estrela, no bairro do Marco. O governo do município mudou o nome dessa rua para Mariz e Barros. Mas o endereço de Bené continua o mesmo - endereço único e excepcional. E ninguém erra.

 

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